Amor em forma de surpresa

Vou começar por vos contar uma história sobre o meu fim de semana passado.

Sábado, fui a um casamento.

Casamento esse, entre duas pessoas que só vi uma vez na vida. Comecei por achar estranho estar ali presente e a testemunhar aquele dia que parecia ser tão importante para todos. Mas foi isso que proporcionou o meu afastamento e o tempo necessário para olhar, apreciar e pensar. Também pelo facto de estar gravida de 7 meses e, a par das crianças, ser a única pessoa completamente sóbria naquela tarde de muito calor, lá numa aldeia do interior.

O casamento foi na quinta da família da noiva. Toda muito bem tratada, a família da noiva e a noiva também, mas neste caso refiro-me à quinta onde sentia-se amor na decoração, dedicação nos pormenores, empenho na organização, todos em cumplicidade e equipa, juntos para aquele momento.

De copo nas mãos, ouviam-se risos e gargalhadas. A tarde ia passando, todos se iam sentando e deitando nas almofadas à volta da piscina, num ambiente de descontração e familiar. Sentia-se o à vontade de quem se sente entre família e amigos.

E assim continuou até ser bem noite, amor em forma de surpresas seguidas de mais surpresas para todos.

Passaram uns vídeos feitos à medida para cada um dos noivos. Fotografias repletas de momentos de cumplicidade desde sempre. Aqueles amigos que ali estavam, rodeando a piscina naquela tarde, já a teriam rodeado centenas, senão milhares de vezes, desde os seus cinco anos de idade. Fotografias daqueles pais, que ali os acompanhavam naquele dia, em lágrimas e de mãos dadas. Fotografias com mais de trinta anos, onde aqueles pais, igualmente em lagrimas e de mãos dadas, rodeavam o bebé que acabava de nascer.

E eu, já nostálgica, com todo o reboliço hormonal que para aqui ía, dei por mim a entristecer e a pensar, naqueles meus amigos dos 5 anos que deixei para trás quando os meus pais se divorciaram. A pensar que a última vez que vi os meus primos foi num funeral e que nem sequer tenho fotografias da família que outrora existiu, porque de tanto trocar de casa foram-se perdendo.

Por fim, dei por mim num poço de nostalgia, a perguntar sei lá a quem, porque não temos todos o direito aquela felicidade. Raios! Eu estava mesmo a precisar de um Gin naquela noite.

Domingo acordei tarde, ainda cansada. Mas o meu miúdo giro convidou-me para começar a ver a série Walking Dead e ofereceu-se para preparar o almoço. Arrumei umas coisas em casa, poucas, e relaxei, mas continuava a sentir-me cansada. Decidi, então, desmarcar a minha presença no chá das miúdas giras em casa da Branca de Neve. Uma grávida cansada deve repousar e concerteza que as miúdas giras iam-me entender. Mas não…

Insistiram para ir, oferecendo-me boleia. Prometeram-me bolo quentinho, chá e o melhor lugar no sofá. Achei estranha tamanha insistência, mas pensando bem, era um chá numa tarde tranquila, não me ia cansar assim tanto, e lá fui eu.

O chá de amigas, transformou-se no meu chá de bebé. Amor em forma de surpresa!

Ironicamente ali estava eu num lanche onde se sentia amor na decoração, dedicação nos pormenores, empenho na organização, todas em cumplicidade e equipa para aquele momento. Ouviam-se risos e gargalhadas. E entre beijos e abraços eu percebi que nem todas as vidas precisam das mesmas personagens ou dos mesmos cenários para serem perfeitas. E que afinal, todos temos direito à felicidade, só que ela chega de formas diferentes para todos nós, basta estarmos atentos. Descobri também, que a amizade pode começar aos 30 ou 40 ou 80, sei lá eu, e que não precisamos ter fotografias para nos recordarmos o quanto fomos felizes.

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2 comments

  1. Cinderela, que bom ler-te! Li a tua felicidade e gostei tanto. Afinal não é preciso ter fotos, nem histórias iguais. Cada um tem a sua, no seu momento desde que se entregue ao que a vida nos trás! E que nos traga muito, assim puro, bom e com sabor a magia!

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