Ser Mãe

Nunca fui daquelas pessoas que desde novas sonham casar e ter uma casa cheia de filhos, sempre estive muito focada no meu desenvolvimento profissional e com um desejo muito grande de conhecer o mundo, até que a “cegonha” decidiu fazer-me uma visita!

Não esqueço o momento em que colocaram o meu primeiro filho junto a mim, na maternidade, logo após o seu primeiro contacto com o mundo. Senti um calor intenso e seco, indescritível, incomparável. Algo único!

Seguiu-se toda a fase de aprendizagem, toda a adaptação a um novo corpo e a novos horários e responsabilidades, a uma nova forma de relação a dois (que passou a três).

Lembro-me claramente do dia em que tive plena consciência do quanto amo o meu filho. Estava sozinha com ele em casa, a mudar-lhe a fralda e a vestir-lhe um babygrow azul claro. Estava a falar com ele e…. Magia! Desde esse dia, ele passou a ser (conscientemente) o centro da minha existência e a fonte de um sentimento que não tem par.

Não há palavras que descrevam o que é ser mãe, nem vou tentar sequer aventurar-me a fazê-lo porque não conseguiria. O que posso dizer é que é algo incomparável, algo que não sentimos por mais ninguém, que não seja pelos nossos filhos. Eles passam a ser o centro de tudo, os nossos objectivos são ajustados à sua existência.

Não quer dizer que tenha perdido os meus sonhos ou deixado de ser eu própria. Ter filhos é compatível com (quase) tudo! Hoje, com dois filhos, continuo a ser profissional, a desenvolver as minhas competências e continuo a viajar e posso dizer que sou mais feliz, porque a minha vida ganhou mais sentido e o carinho que me rodeia fortaleceu-me. Claro que fiz algumas adaptações. Não fico a trabalhar até às 9 da noite, nem viajo para sítios mais recônditos (pelo menos por agora), mas os meus desejos e ambições não foram apagados, nem têm de ser!

Não posso negar que me falta algo, mais tempo! Gostaria de ter mais tempo para os meus filhos, mas também já aprendi que é mais importante a qualidade do tempo que passamos com eles do que o número de horas em que estamos presentes.

Gostava muito de ter a possibilidade de os ir buscar todos os dias à escola, de estar com eles em todas as férias escolares, de ser sempre eu a ir com eles ao médico, mas não é possível! Mas é possível fazer todo o esforço para estar presente na festinha do dia da Mãe, para ir à festa de final de ano ou à sua actuação de música, para passar o fim-de-semana colada a eles, de corpo e coração ou conversar com eles ao final do dia, antes de se deitarem.

Mais do que tudo, é sempre possível dizer-lhes o quanto os adoro e são importantes para mim.