E depois das aulas? Mais aulas?

Muitos são os pais que se questionam sobre o que é o certo a fazer em relação à educação escolar dos seus filhos. Eu não sou excepção.

Desde que o meu filho era bem pequeno que estes assuntos me apoquentam e foi desde bem cedo que decidi uma coisa, que iria dar-lhe tempo. Porque desde bem cedo percebi que não queria que ele soubesse apenas o “abecedário”, queria que ele soubesse, no mínimo, tudo. Porque para os nossos filhos nós queremos, no mínimo, tudo. Então decidi que iria dar-lhe tempo para ele aprender tudo o resto.

Decidi que a escola ficaria sempre lá, no lugar dela. Não desvalorizando nunca a sua importância, nem a valorizando nunca demais. Só que eu, assim como muitos outros pais, perdi-me, entretanto, com medo. Noutro dia ficou bem claro para mim o quanto que os nossos medos nos influenciam, e que quando se trata dos nossos filhos, essa tendência sobe.

Tudo começou na altura de escolher a escola primária.

Acabei por optar por um colégio privado porque ali ele teria mais umas horinhas de aulas por semana e uma maior exigência, e que isso lhe faria bem. Depois, foi só mais o piano, porque a música aumenta a concentração e o raciocínio, o Karaté porque a disciplina é importante, a piscina porque lhe faz tão bem e é tão importante saber nadar, o floorball, e o parkour, porque ele o escolheu como seu desporto.

Foi no momento em que soube que a grande maioria dos colegas de turma estuda para além dos trabalhos de casa e, até alguns, têm explicações, que ponderei se o meu filho também deveria ter explicações. Apercebi-me, então, que estava tão cheia de medo que acabei por distanciar-me das minhas ideias primárias tão lúcidas, que já não conseguia ver o óbvio:

  1. O meu filho estava quase sem tempo.
  2. O meu filho é bom aluno e eu pondero explicações?!!!

E, uma vez mais, decidi livrar-me de todos os meus medos e definir que quero que o meu filho aprenda:

  1. Que a matéria escolar é apenas uma parte de tudo aquilo que ele tem para aprender.
  2. Que tem de trabalhar durante as horas de trabalho e que não deve trabalhar mais que isso nem trazer trabalho para casa. E eu prometo fazer-lhe o mesmo.
  3. Que pode e deve ter tempo para brincar, rir, amar, para fazer tudo e para não fazer nada.
  4. Que se não conseguir atingir o que os outros atingem, não faz mal. Vai acontecer mais vezes.
  5. Que deverá, sim, fazer um esforço extra, dedicar tempo ao estudo, abdicar de tudo se necessário, mas só quando valer mesmo a pena. Quando ele quiser. Quando for por Amor.
  6. Que ele consegue tudo o que precisa sem muito esforço e vivendo de uma forma feliz.
  7. Que podemos ser felizes com pouco, mas não faz mal nenhum querermos muito.

Perguntei-lhe em que atividades extracurriculares queria ele continuar, e fora isso, vamos buscá-lo as 17h, depois dessa hora vamos ensinar-lhe tudo aquilo que a escola não lhe ensina.

Por hoje, vou ensina-lo a cozinhar.

 

Estejam atentos e não se percam. Elucidem-me caso eu me perca, novamente.

Cinderela

4 comments

  1. Cinderela, minha doce amiga, estás tão certa, mas tão certa que nem sei que mais te diga! Avisa me também por favor se eu algum dia me esquecer das tuas sabias palavras! Ainda bem que nos temos para nos por no trilho quando a sociedade teimar em nos puxar para os rankings, para o excepcional e para a estupidez de teimar em fazer com que os nossos filhos deixem de ser crianças depressa! Obrigada! Top!

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