Será que nos queixamos precisamente daquilo que nos faz mais falta?

O dia começou como tantos outros … escola, recados, e uma ”dead line” para cumprir! Sim, um projeto novo. No final do dia, nada melhor do que o sentimento do dever cumprido – tudo entregue, família em casa reunida para jantar.

O mais velho, depois do jantar, recebeu um telefonema que já anunciava uma saída.

O filho do meio, depois de regressar de uma tarde na piscina com os amigos, trazia o convite para ir  dormir a casa de um deles; sim, também este ía sair e dormir a casa de um amigo.

Restou-nos a cadela que ressonava na sala e o filho mais novo instalado na nossa cama… o silêncio invadiu a casa.

Sossego, calma e a cozinha arrumada, era bom, mas parecia que faltava qualquer coisa. De repente tivemos uma sensação que tem tanto de estranha como de uma surpreendente revelação: as coisas das quais nos queixamos na vida são, muito provavelmente, aquelas que nos fazem falta, que nos fazem felizes e que traduzem aquilo que realmente somos.

A casa sempre cheia, a campainha que não pára, a mesa sempre posta e a família constantemente na cozinha, a azáfama dos amigos sempre cá em casa a jantar… é cansativo, é trabalhoso mas é aquilo que nos define, é o prazer inigualável de termos por perto aqueles de quem gostamos. É a descoberta de que ali, no nosso lar, as pessoas se revelam, se transformam, se sentem bem e voltam!

Crianças e teenagers que, de repente, em perfeita harmonia, brincam às escondidas em correrias pela casa e pelo jardim… o barulho era escusado, é certo, mas o facto de voltarem a ser crianças e largarem a tecnologia só pode ser um sinal positivo. Em resumo, estar descansado e não ter trabalho é demasiado sobrevalorizado!!!

Aquela sensação de que estamos outra vez na cozinha com dezenas de pratos e copos para arrumarmos, a roupa espalhada e os sapatos que permanecem dois dias à porta do quarto, os casacos pousados nas cadeiras do hall de entrada quando existe um armário enorme cheio de cruzetas mesmo ali ao lado… a sério, às vezes irrita… e cansa… e eu resmungo e ralho e queixo-me do trabalho … mas é apenas sinónimo de uma casa cheia pois quando tudo isto nos falta já não é a mesma coisa!

Será que nós todos nos queixamos das coisas que nos fazem mais falta e nos fazem felizes?! Se calhar os pontos que valorizamos na Roda da Vida vão mudando ao longo dos anos!

É verdade, e não temos tampas nos frascos !


Até breve.

Ariel

 

 

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