Andorinha-dos-beirais

“…Quando a temperatura baixa, as andorinhas juntam-se em bando e vão à procura de locais da Europa mais quentes. Chegam à Europa a meio de Abril, tendo voado 10 000km a partir da zona invernada no sul de África. A viagem demora cerca de quatro semanas, e os machos chegam primeiro. Já há muitos anos que as pessoas celebram a sua chegada repentina como um sinal de que o Verão está a caminho.
No início de Maio, a maioria das andorinhas começa a reprodução. Em Setembro, preparam-se para a migração, no entanto, algumas poderão ficar na Europa até Outubro.
A viagem de regresso a África demora cerca de seis semanas. As nossas andorinhas deverão seguir pelo sul de Portugal, em direcção a Marrocos, antes de atravessar o Deserto do Sahara, a floresta tropical do Congo, chegando finalmente à Namíbia e África do Sul.
As andorinhas voam durante o dia, voando baixinho, e podendo fazer até 320Km diários. À noite, juntam-se em grandes bandos em juncais de zonas húmidas, em locais de paragem tradicionais. Uma vez que as andorinhas se alimentam unicamente de insectos voadores, não necessitam de engordar antes da migração, podendo alimentar-se ao longo do percurso. No entanto, muitas morrem de fome durante a viagem. Se sobreviverem, podem viver até 16 anos. Constroem as suas casas perto do calor, em pequenos ninhos nos beiras das janelas….”

 O beiral da minha janela foi escolhida por elas para a sua casa. O beiral do quarto onde cresci em Espinho, tinha ninhos de andorinhas que todos os anos voltavam. Eram minhas amigas, faziam parte da minha primavera. Ouvia os seus chilreares de manhã ao acordar, porque sempre dormi de janela aberta (está-me no sangue), e seguia a reconstrução dos seus ninhos, depois do duro inverno da beira-mar. Observava as crias a crescer e a comer e este meu namoro com elas era pleno quando elas já entravam e saiam do ninho, quando eu estava à janela. Quando elas partiam, quando o verão ia embora, começavam as aulas e os dias curtos.

Acho que sou um bocadinho andorinha até. Voo baixinho, voos grandes faço-os em equipa. Ando em bando junto dos meus. Gosto do calor e de voltar aos sítios onde sou feliz. Sigo as minhas crias e não me importo nada que o meu macho vá à frente a abrir caminho. Chilreio por aqui e por ali em pequenos ou grandes voos.

Só temos a aprender com a natureza. Não há dúvida.

Há algo de encantado nas nossas andorinhas, aquelas que andam pelos nossos beirais…

Pocahontas

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