Abundância & desespero

Este ano, porque as crianças precisam de fazer praia, decidimos fazer aquele estilo de férias que está longe de ser o da minha preferência: fomos para um resort! Sim, um resort, daqueles em que não temos de fazer nada que não seja deambular entre as piscinas, a praia, o restaurante e a animação cultural e desportiva.

Logo na primeira refeição que fizemos não pude deixar de reparar nas autênticas pirâmides de comida que muitas pessoas traziam para a mesa nos seus pratos, depois de se servirem do “abastado” buffet! De facto um exagero… Continuei a minha observação. Queria saber o que seria feito de todos aqueles alimentos. Tínhamos diversidade: daqueles que de facto comiam tudo (!!!) até àqueles que comiam o que gostavam e deixavam o que não gostavam, ou o que não lhes apetecia naquele momento… Os empregados do restaurante iam tentando dar resposta na recolha de pratos com “restos” porque logo de imediato as pessoas estavam a ir buscar novos pratos para criarem novas pirâmides às quais dificilmente conseguiriam “dar resposta”.

Numa das manhas solarengas da minha estadia neste resort, tal como todas as manhãs, fomos bem cedo para a praia. Mal nos aproximamos reparamos em dois jipes da polícia junto à costa e, por trás, algo que parecia uma embarcação… Não precisei muito para juntar 2+2, tendo em conta o lugar onde estávamos alojados. A embarcação era pequena em tons de azul e verde, em madeira e tinha um rombo no casco… A primeira questão que me passou pela cabeça foi: será que as pessoas que utilizaram esta embarcação para fugir do seu País e procurar uma vida melhor (ou até fugir de uma vida de verdadeiro terror e inferno) não resistiram a uma viagem de esperança e medo e afogaram-se neste mar ou será que a embarcação bateu nos rochedos já ao chegar à praia e todos (mulheres, homens e crianças) conseguiram sobreviver e estão já em fuga no nosso continente em busca do seu “sonho”?

Seja como for, abundância não existiu por certo nesta jornada, nem vai existir tão cedo na vida destas pessoas se, de facto, continuam vivas em busca de uma esperança.

O contraste estava mesmo ali, naquela praia: a abundância junto à praia e o desespero junto ao mar!

 

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